Pode-se dizer que o cinema nacional moderno finalmente ganha maturidade depois dessa obra belíssima. Cult, cinema arte, seja lá o que for definir, criticar, Ainda Orangotandos (entre no site aqui) vai ser um marco na cinegrafia brasileira. Não por suas características próprias como ser o primeiro longa em plano-seqüência feito no país, mas por mostrar que ainda pode haver abstração na arte.
Gustavo Spolidoro e os gaúchos produtores e realizadores desta obra-prima em imagem, música e texto merecem respeito e atenção.
SINOPSE - Durante 14 horas de um dia quente de verão, quinze personagens transitam pelas ruas e prédios de Porto Alegre. Japoneses vão ao limite no metrô. Garotas se beijam em um ônibus enquanto discutem futebol e o saco do Papai Noel. O porteiro de um grande condomínio só pensa na cerveja no fim do expediente. Uma mulher nua foge de pombas dentro de seu apartamento. Ao lado, um quarentão e sua garota tatuada, na falta de coisa melhor para fazer, bebem perfume. No mercadinho um garoto tenta comprar aspirinas mas o atendente lhe dá balas. Um grotesco escritor decide que um pacífico velhinho que caminha pela rua deve ser o editor de uma obra sobre as 193 espécies de símios já descobertas no planeta. Em uma festa evangélica de 15 anos não é Deus quem marca presença, mas sim o professor de canto da debutante. Um dia mais que normal na capital gaúcha, em um único plano-seqüência de 81 minutos.
